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24 de novembro de 2017

A Arte Refinada de Detectar Mentiras

Professor de Astronomia e Ciências Espaciais na Universidade de Cornell e autor de dezenas de livros e da série Cosmos, o norte-americano Carl Sagan dedicou a vida ao desenvolvimento e divulgação da ciência. O Mundo Assombrado Pelos Demônios, um de seus livros, é o testemunho pessoal do seu caso de amor com a ciência.

Preocupado com a falta de conhecimento científico da população, Sagan, em um de seus capítulos, fala sobre um kit de detecção de mentiras.

Mas o que existe no kit? Simples: ferramentas para o pensamento cético. O pensamento cético se resume ao meio de construir e compreender um argumento racional e de reconhecer um argumento falso.

A questão não é se gostamos da conclusão que surge de uma cadeia de raciocínio, mas se a conclusão provém de uma base verdadeira.

Eis algumas das ferramentas:
•  Sempre que possível, deve haver confirmação independente dos “fatos”;
•  Devemos estimular um debate substantivo sobre as evidências, no qual haja a participação de todos os pontos de vista;
•  Os argumentos de autoridade têm pouca importância. As “autoridades” cometeram erros no passado e voltarão a cometê-los no futuro. Na ciência não existe autoridades, e sim especialistas;
•  Considerar mais de uma hipótese. Se alguma coisa deve ser explicada, é preciso pensar em todas as maneiras diferentes pelas quais esta poderia ser explicada. Após isso, precisamos pensar nos testes que poderiam servir para invalidar sistematicamente cada uma das alternativas. O que sobreviver tem uma chance muito maior de ser a resposta correta do que se tivéssemos simplesmente adotado a primeira ideia que prendeu nossa imaginação;
•  Tentar não ficar tão ligados a uma hipótese só por ser a nossa. Temos que nos perguntar por que a ideia nos agrada e compará-la imparcialmente com as alternativas.E após isso, verificar se é possível encontrar razões para rejeitá-la, senão outros o farão;
• Necessitamos quantificar. Se o que estiver sendo explicado é passível de medição, de ser relacionado a alguma quantidade numérica, seremos muito mais capazes de discriminar entre as hipóteses concorrentes. O que é vago e qualitativo é suscetível a muitas explicações. Há certamente verdades a serem buscadas nas muitas questões qualitativas que somos obrigados a enfrentar, mas encontrá-las é mais desafiador;
•  Se há uma cadeia de argumentos, todos os elos na cadeia devem funcionar (inclusive a premissa), e não apenas a maioria deles;
•  A Navalha de Occam. Essa maneira prática e conveniente de proceder nos incita a escolher a mais simples dentre duas hipóteses que explicam os dados com igual eficiência;
•  Devemos sempre perguntar se a hipótese não pode ser, pelo menos a princípio, falseada. As proposições que não podem ser testadas ou falseadas não valem grande coisa. Temos que poder verificar e reproduzir as afirmativas.
Sei que é tentador ficarmos satisfeitos com a primeira explicação possível de algo. Afinal, uma é muito melhor do que nenhuma. Mas o que acontece se pudemos inventar várias? Como decidir entre elas? Não decidimos; Deixamos que a experimentação faça as escolhas para nós.

É em parte por causa da falta de disseminar conhecimento sobre a detecção de mentiras, o pensamento crítico e o método científico que todos os dias pessoas acabam sendo enganadas por charlatões e comerciantes tendenciosos que utilizam da credulidade de seus “clientes” para tirar seu dinheiro e muitas vezes até a saúde. A credulidade pode matar.

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