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12 de junho de 2017

Deslocando registros: memórias póstumas do viver


Texto por: Ana Lara Schlindwein, Barbara Baccin dos Santos, Gabriela Mafra de Araújo e Lina Ribeiro Venturieri


    Era um dia qualquer em uma cidade grande, prédios altos e estreitos em meio a um cruzamento rodoviário. A atriz Grace Kelly, em um daqueles filmes em que contracenava com Bing Grosby, está em cartaz no cinema de quatro estrelas. Daquele letreiro, escrito em inglês, emana luz. O dia era cinza, porém úmido, o que possibilitava ver as gotículas de água pelo chão polarizando as luzes artificiais. Choveu, feliz aquela ali com guarda-chuva. Menos feliz está o senhor, quem o frio não aguentou: desmaiou. Então, eis a polícia, quatro uniformizados para tirar o corpo do local. 


 Foto de: Vivian Maier, Rua 4 (Street 4), Nova Iorque 1955.

    A situação na qual a foto de Vivian Maier foi feita, na Nova Iorque de 1955, não conhecemos. Porém, mesmo não sabendo dessas poucas informações, o registro da fotógrafa estadunidense nos dá elementos suficientes para conjecturar teorias sobre aquela específica fatia de tempo-espaço. 
    A fotografia é memória social, pois possibilita o eternizar de pessoas, locais e momentos que talvez não se repetirão novamente. Ela prolonga o que um dia existiu. Desta forma, a fotografia contribui para o registro pessoal e memorização de informações que seriam perdidas com o passar do tempo ou com os lapsos de memória que estamos sujeitos a viver: imagens são documentos que ajudam a contar a história de cada um de nós. 
    A fotógrafa é uma presença que trabalha para recolher imagens, registrar o efêmero. Assim também, o tempo age sobre a Terra: feito artesão esculpe geo-memória, fossiliza o efêmero que é a vida. Fósseis são como fotografias do que o planeta já abrigou em si, pistas para que seja possível descrever assim sua história de 4,6 bilhões de anos.


    O fóssil é, então, registro: pode ser restos de organismos ou evidências de sua existência, através da atividade que ficaram marcadas e preservadas em rochas, gelo, âmbar ou asfalto. Eles podem nos contar várias histórias como: migração dos continentes, alterações climáticas, extinção e mudanças dos seres vivos ao longo do tempo geológico. A fossilização de uma forma de vida é um fenômeno que quebra o ciclo natural dos seres vivos, no qual ao invés de ocorrer a decomposição após a sua morte, destruindo toda sua estrutura física, há uma preservação e registro de restos ou vestígios do organismo. Para a formação e preservação do indivíduo há um conjunto de processos físicos, químicos e biológicos no ambiente deposicional que irá favorecer a criação do fóssil. Mas, mesmo após formados, podem sofrer alterações devido às condições do ambiente, podendo acarretar na perda de partes do organismo e, consequentemente, deixar brechas nas interpretações do mesmo.
    O fóssil é memória paleontológica, pois possibilita o eternizar da vida das atividades ou dos movimentos que talvez não se repetirão novamente. Ele prolonga o que um dia existiu. Desta forma, o fóssil contribui para o registro animal ou vegetal e preservação das vidas que seriam desconhecidas ou as perdidas com as grandes extinções que a Terra passou: fósseis são documentos que ajudam a contar essa história. 

Fóssil como arte realizada pelo tempo no correr de Chronus. 

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