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16 de janeiro de 2017

Em memória dos extintos

Não é novidade para ninguém que 2016 foi um ano conturbado na política e na economia para o Brasil, e trouxe diversas surpresas em âmbito mundial. Porém, ainda em tempo, é importante trazer a memória daqueles que não tiveram voz esse ano e deixaram nosso planeta para sempre, em suma, a grande maioria por causa da nossa espécie. Espécies inteiras de todos os grupos de organismos e de todas as regiões do mundo desapareceram para sempre da linha da evolução, tornando-se apenas histórias.
A lista de espécies ameaçadas da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza, em português), órgão internacional de grande renome, completou 20 anos em 2016, atingindo a marca de 774 espécies de animais extintas nos últimos 200 anos, sendo mais de 500 espécies apenas nos últimos 20 anos (O baixo número anterior a 1996 provavelmente se deve à falta e dificuldade de estudos da época). É importante ressaltar que esta lista envolve principalmente os vertebrados, que equivalem menos de 5% do total de espécies do planeta, porém se utilizarmos apenas esses dados, os números já são extremamente alarmantes, pois apenas em 2016, foram incluídas 34 novas espécies na lista de extintos, ou seja, uma espécie a cada mais ou menos 10 dias desapareceu para sempre só no ano passado.
O cenário fica mais caótico, se levarmos em consideração que países em desenvolvimento, como o Brasil, seguem ritmos frenéticos de desmatamento, caça e poluição não fornecendo um tempo hábil para a ciência acompanhar o mesmo ritmo de conhecimento da nossa biodiversidade. Enquanto em 2016 a taxa de desmatamento da Amazônia aumentou em 29% (Derrubando 7.989km² em um ano, ou seja a área de 50 Vaticanos por dia) os investimentos para estudos de biodiversidade diminuíram (e a tendência é diminuir ainda mais), sendo o centro de biodiversidade terrestre destruído sem ao menos conhecermos aquilo que nele habita. É incalculável quantas espécies perdemos e ainda iremos perder que nunca foram descobertas pela ciência por ganância de uma única espécie: a nossa.
Talvez por desconhecimento, ou por não se importar mesmo, esses números parecem não impactar a vida de muitas pessoas, especialmente de quem está no poder, pois além de tudo já citado, passou-se 2016 e pouco foi feito pelo Rio Doce, enterrado por lama pela empresa Samarco, que até o presente momento, apenas prorrogou o prazo de pagamento do valor para recuperação ambiental. Passou-se 2016, com uma tentativa muito próxima de se retirar o licenciamento ambiental da  obrigatoriedade, sendo assim, quase tirando o  um ótimo mecanismo de proteção do meio ambiente.  Passou-se 2016, e os resquícios da crise hídrica em São Paulo de 2014, parecem não existir e, novamente, ninguém foi responsabilizado além de São Pedro. Ao longo de 2015 e 2016 foi travada uma batalha judicial após a publicação da Portaria 445 de 17 de dezembro de 2014 para proibir a pesca de espécies ameaçadas de extinção no Brasil, ganhando o setor pesqueiro, e dessa maneira, todas as 475 espécies de peixes e invertebrados aquáticos com comprovado risco de extinção, continuarão a ter suas populações diminuídas. Realmente, foi um ano difícil para o meio ambiente, e provavelmente deveríamos acabar esse texto com cenários positivos, porém todos os indicativos dizem a mesma coisa: 2017 pode ser ainda pior. Nos primeiros dias do ano aconteceu a apresentação de um projeto de lei (PL 6268/16) para liberação da caça de animais silvestres, mesmo isso sendo uma principais causas de extinção em toda história da humanidade e isso é proibido desde ….. Parece que em pouco tempo vai realmente nos restar apenas escrever as memórias da biodiversidade.

Matheus F. Haddad

           

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