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28 de novembro de 2016

Uma vida de migrações







Você consegue imaginar 2 milhões de gnus, mais de 300 mil zebras e 500 mil antílopes, todos migrando em uma única direção e sendo perseguidos por milhares de predadores, tudo pela sobrevivência? Esse processo é considerado patrimônio natural da UNESCO e é conhecido como a Grande Migração, despertando muitas dúvidas para a ciência, inspiração a escritores e admiração aos espectadores do mundo todo.

Primeiramente, é necessário explicar onde acontece tudo isso. Direcionamos nossos olhos para o leste africano, entre o sul do Quênia e o Norte da Tanzânia, próximo ao lago Vitória. Essa região conhecida como Serengeti, palavra de origem Massai que significa “planícies intermináveis”, têm duas estações muito bem definidas, seca e chuvosa, criando paisagens completamente distintas e cenário para inúmeros documentários e até uma possível inspiração para o filme “Rei Leão”. Atualmente, mais de 60% dessa região é protegida, se destacando duas reservas, O Serengeti National Park (Serengeti NP), localizado no noroeste da Tanzânia,  tendo uma área de 14 mil km², ou seja, o tamanho do Timor Leste. Na maior parte do ano é dentro desse parque que a maior parte dos animais vivem, fazendo ciclos migratórios internos O outro parque fundamental é fronteiriço ao Serengeti NP: o Masai Mara, localizado totalmente no Quênia e quase 10 vezes menor que o seu vizinho, porém sendo o protagonista principal na época da grande seca.
                                                  Fonte: http://www.lahistoriaconmapas.com/atlas/country-map03
Durante muito tempo, foi uma dúvida para a ciência o que levaria milhões de animais a se concentrarem em uma região tão pequena e, mesmo não existindo consenso na ciência sobre os passos que movimentam a migração, sabe-se  que ela é desencadeada pela busca de gramíneas frescas, alimento principal para gnus, antílopes e zebras, que após cessarem as chuvas começam a ficar escassas, forçando os animais a se movimentarem e se juntarem em enormes aglomerações rumo ao norte, em busca dos últimos recursos. Vale lembrar que mesmo os gnus vivendo em grupos considerados grandes, mais de 50 indivíduos, com o aumento da seca diversos grupos vão se juntando, chegando no extremo norte da Tanzânia aos milhares e, consequentemente, levam consigo diversos predadores como leões, hienas e cachorros selvagens para o momento mais notório da grande migração, a travessia do Mara river.
O rio que divide a fronteira entre o Quênia e a Tanzânia, no extremo leste de ambos os países, é um momento importante para os animais que sobreviveram a uma exaustiva migração, quase sem comida e perseguida por predadores, para uma região com fartura de comida e relativo descanso. Obviamente os predadores também atravessam o Mara river, porém ao se deparar com milhões de animais, o processo de caça fica tão fácil que em suma maioria, matam apenas os mais fracos, doentes ou que se desgarraram do grupo, dando às presas sossego e a eles mesmos uma grande camada de gordura.
No final da época seca, as planícies Massai estão tomadas por uma enorme quantidade e variedade de animais, causando além de expressões delirantes dos turistas, a escassez de grama, gerando os problemas de fome novamente. Até que os ventos trazem de volta as primeiras gotas de chuva, que começam a cair no sul, e os animais começam a atravessar de volta o Mara river, encontrando planícies regeneradas e verdes, migrando e dispersando para o Serengeti NP, encerrando mais um ano da Grande Migração e começando a época de nascimentos nas planícies do leste africano. A vida se demonstrou, mais uma vez, extremamente versátil.


 Legenda: Zebras e Gnus no Masai Mara National Park
Legenda: Abutre comendo os restos de Gnu

Autor: Matheus F. Haddad

Fontes:
Opposing Rainfall and Plant Nutritional Gradients Best Explain the Wildebeest Migration in the Serengeti. Author(s): Ricardo M. Holdo, Robert D. Holt, and John M. Fryxell
Competition, predation, and migration: individual choice patterns of Serengeti migrants captured by hierarchical models Authors J. Grant C. Hopcraft, J. M. Morales, H. L. Beyer, Markus Borner, Ephraim Mwangomo, A. R. E. Sinclair, Han Olff, Daniel T. Haydon
Predicted Impact of Barriers to Migration on the Serengeti Wildebeest Population Ricardo M. Holdo1 *, John M. Fryxell2 , Anthony R. E. Sinclair3 , Andrew Dobson4 , Robert D. Holt5

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