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8 de novembro de 2016

Os verdadeiros anciões da Terra


       



       Durante um período entre os séculos V e XV, mais conhecido como Idade  Média, houve algumas pessoas que dominavam os primeiros conhecimentos de química, física e biologia misturados com esoterismo, eram denominados de alquimistas, e tinham como dois dos seus objetivos conseguir a imortalidade e a mais longeva vida possível, mas podemos dizer que o verdadeiros responsáveis por nossa vida (a dos humanos) ficando cada vez mais longa são os médicos e pesquisadores das áreas relacionadas à saúde, que por exemplo ajudaram a aumentar a expectativa de idade mundial em 5 anos apenas desde o ano 2000.
    Ainda assim, o ser humano mais velho dos tempos, com algo um pouco superior a 100 anos de idade, teria sua vida comparada um estalo de dedos se tomar como referência algumas das fantásticas formas que a evolução da vida proporcionou ao planeta. Apresentamos agora alguns desses curiosos casos que pesquisas de cunho biológico nos proporcionaram tomar ciência:

    Começamos com o mais novo quadricentenário ser vivente, que foi descoberto neste ano de 2016 nos mares árticos: é o Tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus) que, segundo pesquisadores dinamarqueses, pode chegar a cerca de 392 anos de idade e atingir mais de 5m de comprimento, o que o classificaria como o vertebrado mais velho conhecido, passando assim a atual detentora do recorde: a  Baleia-da-Groenlândia (Balaena mysticetus) que tem a idade estimada em 211 anos.
    Para esse tubarão, com seu nado vagaroso sob as águas gélidas e profundas do Atlântico Norte e taxa lenta de crescimento era esperado que sua idade fosse muito avançada, mas como que pesquisadores mensuram a idade aproximada de um tubarão? 


Tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus)
  
   Para entender isso, primeiro pensemos que muitas técnicas já existem e muitas estão surgindo, que permitem a nós inferir a data de ocorrência ou a idade de um determinado material ou organismo no planeta. Alguns exemplos clássicos são análise de camadas de crescimento como os anéis de crescimento concêntricos no tronco de algumas árvores e os anéis no casco de tartarugas. A datação radioativa do isótopo Carbono-14 para organismos biológicos é outro método muito usado em fósseis e tecidos específicos, pois ele nos ajuda a estimar idades que estejam entre 300 e 50.000 anos pelo decaimento radioativo de meia-vida desse elemento. Para os peixes, cientistas conseguem examinar ossos do ouvido chamados otólitos, que quando seccionados é possível identificar um padrão de anéis concêntricos que podem ser contados estimando a idade. 
    Porém o Tubarão-da-Groenlândia é muito macio e não possui partes no corpo onde essas camadas de crescimento se acumulam. Para contornar isso, a equipe de pesquisadores usou proteínas inertes da retina do tubarão que uma vez formadas quando bebê, não são renovadas, sendo possível assim realizar a datação por radiocarbono desse tecido.

    Mas o título de animal mais idoso do mundo está com o molusco bivalve da espécie Arctica islandica, em que a idade foi estimada em 507 anos, vivendo apenas uns 10 anos a menos que o nosso país Brasil. Esta idade foi medida também pela contagem dos anéis de sua concha na parte interna e externa, cada um indicando um ano de sua vida e depois foi confirmada com datação radioativa. O molusco foi apelidado de ‘’Ming’’ pois teria nascido durante o período que esta dinastia estava no poder na China.

    É importante utilizar vários métodos que se complementam para datar um mesmo objeto, reforçando validade e confiança de sua análise pois se você tem uma idade que bate com dois ou mais métodos, você pode afirmar com mais fundamentos de que esse é o valor certo a ser considerado.

    Há também o caso extraordinário do detentor de maior organismo individual do mundo, que é também um dos mais velhos seres viventes. Nada de tubarões, elefantes, baleias, sequóias, moluscos,  ou qualquer outro animal ou planta. Trata-se de um fungo! Da espécie Armillaria ostoyae, esse fungo ocupa uma área de 965 hectares ou 10.000 metros quadrados, o que equivale a 1220 campos de futebol. As pesquisas indicaram que ele tem uma idade estimada em 2400 anos, mas outras com base no genoma do fungo parecem indicar que pode ter mais de 8600 anos. Ele, assim como outros fungos, cresce através de uma rede de filamentos no solo chamados hifas, possui cogumelo também mas esta é apenas sua parte reprodutiva. Toda essa rede, conhecida como micélio é que se espalha sob a  Floresta Nacional de Malheur no estado Norte-americano de Oregon, provocando morte de parte das populações de árvores pois seu micélio rouba nutrientes e água causando a putrefação delas.


Corpos de Frutificação (cogumelos) do fungo com micélio gigantesco

    Se queremos falar de anciões mesmo, citemos a Old Tjikko, nome dado à uma árvore muito antiga da Suécia a qual se estima que a idade seja de 9558 anos, nascida portanto antes de qualquer primata sequer pensar em querer viver mais que o comum. Essa planta da espécie Picea abies também é muito utilizada para fazer pinheiros de natal, e foi estimada sua idade por pesquisadores da Universidade de Umeå em 2004, através da datação de carbono 14 presente em suas raízes, pois a árvore visível é relativamente jovem, a sua verdadeira idade está no sistema radicular que resistiu ao longo de milênios com capacidade de fazer uma ‘’clonagem em si mesmo’’ ao brotar novos caules quando preciso.

Extrapolando ainda mais o limite que o tempo de vida nos impõe, encontramos na natureza um indivíduo que ultrapassou as barreiras da morte e pode-se dizer que através da evolução, tornou-se imortal. Trata-se de um Cnidario da espécie Turritopsis nutricula que através de um ciclo de vida chamada Metagênese ou Alternância de Gerações ela começa como pólipo e se desenvolve assexuadamente em medusa a qual sexuadamente irá gerar descendentes porém se exposta ao estresse ambiental, se estiver doente ou velha, ela pode reverter para fase de pólipo, formando uma nova colônia de pólipo através do processo de ou reprogramação de genealogia, sendo o único animal conhecido capaz fazer essa reversão totalmente. Portanto alternando entre as duas formas podemos dizer que ela vive eternamente.

Turritopsis nutricola, a medusa imortal
   
        Inspirados pelos tantos exemplos de longevidade da natureza estamos caminhando para aumentar cada vez mais nossa expectativa de vida através do aprimoramento da medicina e desenvolvimento de novas técnicas de engenharia genética. Assim quem sabe um dia através de uma ferramenta ainda desconhecida poderá a humanidade reverter o caminho natural da senescência de seu corpo e mente e se tornar imortal tal qual é tão sonhado desde que começamos a ter sonhos de grandeza.

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