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8 de outubro de 2018

Dodô: A ave que os humanos extinguiram

Por Alice Damiani Bernardes, Ana Carolina Bosio e Luiz Henrique Terhorst


O Dodô (Raphus cucullatus) era uma ave grande, aproximadamente do tamanho de um peru, podendo chegar a 25kg e com uma cabeça avantajada, dotada de bico recurvado. Essas aves viveram nas ilhas Maurício, no oceano Índico, ao leste do Continente Africano, e extinguiram-se por volta de 1670.

Inicialmente se acreditava que havia outras duas espécies aparentadas ao Dodô nas ilhas Reunião (o Raphus solitarius) e nas ilhas Rodriguez (o Pezophaps solitaria) conforme a Figura 1. Porém, estudos posteriores ressaltaram que na verdade houve uma falha na interpretação de desenhos da época, pois o animal descrito como Dodô-branco-da-ilha-de-Reunião (Raphus solitarius) na realidade era próximo dos Pelicanos, sendo classificado desta vez como Threskiornis solitarius, o Íbis-terrestre-de-reunião. Hoje, tem-se conhecimento de que o Solitário-de-Rodrigues (Pezophaps solitaria) foi a única espécie aparentada ao Dodô a viver na mesma época.

Holocene Extinction Month #04 – Birds of the Mascarene Islands
The dodo (Raphus cucullatus, on the left), a 1m tall (3'3") flightless pigeon from the Republic of Mauritius, has become one of the most famous and recognizable recently-extinct...
Figura 1: Em sequência da esquerda para direita estão o Raphus cucullatus, Pezophaps solitaria Threskiornis solitarius

A origem do nome “Dodô” não é clara. Alguns atribuem à palavra holandesa dodoor para "preguiçoso", mas ele pode também estar relacionado à dodaars ("nó-bunda"), referindo-se ao nó de penas sobre o traseiro do animal. Outras vertentes trazem o nome Dodô com origem na palavra “doudo”, derivada do português arcaico, o qual significa atualmente “doido”. Também é considerada a ideia de que o nome da ave foi uma aproximação onomatopaica do som - quando palavras são atribuídas a construções sonoras, que as aves produziam e que soava como "doo-doo".

A extinção dessas aves aconteceu com a chegada dos seres humanos às ilhas Maurício em 1500 e com a introdução de espécies por eles ao arquipélago. Os Dodôs foram intensamente predados, e seus ninhos destruídos por mamíferos, levando à sua extinção em aproximadamente 180 anos. O que se sabe sobre o Dodô, atualmente, é obtido através de análises de ossos e relatos registrados por marinheiros que conviveram com esses animais.

Análises desses materiais indicam que tais animais eram predominantemente frugívoros (comiam frutas) e seus ossos eram adaptados à vida terrícola. Existia forte dimorfismo sexual (os machos eram maiores que as fêmeas) e as suas asas eram bastante reduzidas. Por isso, o Dodô era uma ave que não conseguia voar. Colocava os ovos no chão (o que facilitava a predação por mamíferos), e seus filhotes chegavam ao tamanho adulto rapidamente, devido ao clima. Porém, a maturidade sexual desses animais demorava a acontecer. O dodô também apresentava uma muda característica, trocando de penugem e mudando significativamente sua coloração, que durante esse período era cinza, e fora dele marrom-acinzentado.
Essas aves são retratadas na ficção, por exemplo em “A Era do Gelo” e em “Alice no País das Maravilhas” (Figura 2), como sociais e de comportamento imbecil, o que leva à impressão de esses animais serem ingênuos e isso estar relacionado a sua rápida extinção.

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     Figura 2: Os Dodôs de Alice no País das Maravilhas(esquerda) e A Era do Gelo (direita)

Os Dodôs são mais um exemplo da destruição dos humanos sobre a natureza, e um dos mais icônicos registros históricos da rápida extinção de uma espécie pela ação do ser humano.

7 de outubro de 2018

Pterossauros: Répteis Voadores do Passado


Por Gabriela Goebel, Letícia Medeiros Larroyd e Pamela M. W. Giuffre

Os Pterossauros são considerados os primeiros vertebrados capazes de voar, sendo répteis que existiram há 230 milhões de anos (início do período Triássico) e tendo convivido com dinossauros e aves ancestrais.

A maior diversificação de espécies ocorreu no período Jurássico. Eles desapareceram há 65 milhões de anos (final do período Cretáceo) na grande extinção que também afetou os dinossauros. O primeiro fóssil foi encontrado em 1784, porém foi interpretado como um animal aquático. Já em 1801, Georges Cuvier constatou que se tratava de um réptil voador com asas compostas por membranas que conectam os dedos dos membros superiores ao corpo do animal, dando origem ao nome pterodáctilo (do grego "pteros"= asas e "dáctilos"= dedos).

Existem evidências de que os Pterossauros viviam em ambientes aquáticos ou próximos a cursos d'água, devido aos locais em que foram encontrados fósseis e ninhos. Além disso, o crânio desses animais tinha grande variação, evidenciando dietas especializadas. Acredita-se que alguns pterossauros com crânios alongados e dentes capturavam peixes e pequenos anfíbios ancestrais. O Pterodaustro possuía um focinho alongado com dentes finos que podiam ser utilizados para coleta de pequenos organismos aquáticos. Existiam ainda animais com a capacidade de retirar caracóis de rochas e depois triturá-los com seus dentes.

De acordo com o registro fóssil, sabe-se que os primeiros Pterossauros eram pequenos, com apenas alguns centímetros e mandíbulas cheias de dentes e cauda longa. Já os pterossauros do Cretáceo podiam ter até 13 metros de envergadura, tinham mandíbulas com poucos dentes, e sua cauda era curta. Da mesma maneira, acredita-se, pela análise dos ossos, que podiam ter postura ereta. Eles ainda possuíam cristas grandes e elaboradas, que podiam variar em tamanho e forma, dependendo da espécie. Acredita-se que elas podiam ter função de exibição (seleção sexual e acasalamento), reconhecimento entre espécies, e até mesmo função de regulação térmica, já que foi constatada a existência de vasos sanguíneos na região.

Suas asas eram compostas de membranas dérmicas reforçadas, presas ao quarto dedo (alongado) dos membros superiores e ligadas às laterais do corpo e aos membros posteriores. Eles possuíam um osso a mais no pulso, chamado de pteróide, que auxiliava no suporte desta membrana.

Os Pterossauros compartilhavam algumas adaptações anatômicas para voo com as aves, já que possuíam ossos ocos para redução do peso, osso para ligação dos músculos do voo bem desenvolvido, olhos grandes, grande porção do sistema nervoso associada à visão e cerebelo (associado ao equilíbrio e coordenação dos movimentos) grande, considerando o tamanho de outras partes do sistema nervoso.

Além disso, o Brasil tem uma importante contribuição para o conhecimento dos Pterossauros pelo registro fóssil, tanto pela quantidade de fósseis quanto pela qualidade de preservação. O Caiuajara (Caiuaja dobruskii), por exemplo, representado na ilustração abaixo, foi uma espécie descoberta no sul do país.


Ilustração do Caiuajara (Disponível em: http://www.avph.com.br/jpg/caiuajara1.jpg).




Referências

Atlas virtual da pré-história. Pterossauros. Disponível em: <http://www.avph.com.br/pterossauros.htm>. Acesso em: 07/04/18;

Brasil é destaque em exposição sobre pterossauros em NY. BBC Brasil. 2014. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/videos_e_fotos/2014/04/140406_galeria_pterossauros_ac_fl>. Acesso em: 10/04/18.
Centenas de ovos de pterossauros descobertos em escavação revolucionária. National Geographic. 2017. Disponível em: <https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2017/11/centenas-de-ovos-de-pterossauros-descobertos-em-escavacao-revolucionaria>. Acesso em: 09/04/18.
KELLNER, A. Cristas e sexo na vida dos pterossauros. 2011. Disponível em: <http://www.cienciahoje.org.br/noticia/v/ler/id/2574/n/cristas_e_sexo_na_vida_dos_pterossauros>. Acesso em: 10/04/18.

POUGH, F. HARVEY; HEISER, JOHN B.; JANIS, CHRISTINE M. A Vida dos Vertebrados - 4ª Edição Editora: Atheneu, 2008.

Tigre-dente-de-sabre: Feras do Passado

Por Débora de Andrade, Ingrid L. D. Brand e Gabriela P. Guimarães


Certamente você já ouviu falar do tigre-dente-de-sabre. Muito explorado pela mídia, - como o personagem “Diego” do filme “A Era do Gelo” (Figura 1) - é famoso pelos dentes impressionantes, seu tamanho e provável força. Era um felino social, possuía um corpo forte, robusto, considerado o maior felino que já existiu na América, sendo maior que um leão! Esse animal incrível, parente dos felinos atuais, mas na verdade não tão próximo de um tigre, é representado por três espécies do gênero Smilodon, que viveu na América entre 2,5 milhões e 10 mil anos atrás, chegando a conviver com os primeiros seres humanos a chegar ao nosso continente.
Figura 1. Personagem Diego - A Era do Gelo

Os tigres-dente-de-sabre ocupavam praticamente todo o território americano e surgiram na América do Norte, com a espécie ancestral do grupo, Smilodon gracilis, sendo a menor de todas. Depois, migraram para América do Sul pelo istmo do Panamá, um pedaço de terra que liga a América Central à América do Sul. O grupo se diferenciou em duas espécies: Smilodon fatalis, representante da América do Norte, Central e uma pequena parte da América do Sul; e Smilodon populator, o maior representante do grupo (chegando a 400 kg, 1,4m de altura e 2,1m de comprimento), que ocupava a maior parte da América do Sul, incluindo o Brasil e Argentina. As três espécies estão ilustradas na Figura 2. Aqui, os primeiros fósseis de S. populator foram encontrados em 1841 em Lagoa Santa, Minas Gerais, por Peter Wilhelm Lund, que é considerado o pai da paleontologia no nosso país. Depois disso, foram encontrados outros registros em diversos outros estados brasileiros, além de pinturas rupestres representando esses animais.
Figura 2. Espécies de Tigres-dente-de-sabre.



Quanto à alimentação, era um animal muito pesado para perseguir a presa como guepardos fazem hoje, e por isso provavelmente preferiam outro método: a emboscada, utilizando seus grandes dentes e patas fortes para derrubar a vítima. Tinha uma caixa torácica ampla, permitindo que o animal tivesse fôlego para caçar. Por causa de seus caninos de aproximadamente 28 cm de comprimento, o Smilodon fatalis abria sua boca em um ângulo de até 120 graus, (o dobro de um leão) permitindo-lhe abocanhar suas presas com mais facilidade. Mas, apesar das aparências, sua mordida não era tão forte, e seus caninos não atravessavam ossos. Eram capazes de abater mamutes, mastodontes, camelídeos, bisões e até preguiças gigantes! Recentes estudos sugerem que os tigres-dente-de-sabre eram animais sociais que caçavam em grupo, com uma organização social semelhante à das hienas atuais. Alguns fósseis de animais com graves ferimentos cicatrizados sugerem que estes animais devem ter sobrevivido graças à ajuda do bando.


Agora, garanto que você verá Diego com outros olhos, não é mesmo?

5 de outubro de 2018

Mosassauros: Répteis Marinhos do Cretáceo

Por Jessica Imperico Maciel, Marina Veiga da Silva Amorim e Mariana de Souza Lima 



Durante o cretáceo (entre 145 milhões e 66 milhões de anos atrás), quando a América do Sul e a África recém haviam se separado, grandes répteis marinhos conviveram nos mares, como os ictiossauros, os plesiossauros e os mosassauros. Entretanto, estes não são classificados como dinossauros, apesar de serem seus contemporâneos.

Os mosassauros foram os primeiros répteis extintos descobertos pela ciência, e devido a isto foram importantes para o desenvolvimento da ciência do séc. XVIII e XIX. Seus primeiros fósseis foram encontrados em 1764 na região de Maastricht, na Holanda, em um rio chamado Meuse, que em latim é dito Mosa, dando origem assim ao nome do grupo. O termo Mosassauro é utilizado para designar, além de um gênero, Mosasaurus, também um grupo de répteis que utilizavam os mares como seu principal local de alimentação. Esses animais viveram exclusivamente no Cretáceo Superior, entre 100 e 66 milhões de anos atrás, sendo os principais predadores do final deste período.

Esses répteis possuíam um corpo fusiforme, dotado de dois pares de nadadeiras laterais e perfeitamente adaptado à vida em mares pouco profundos, o que os tornava predadores ativos das zonas pelágicas (toda a região do oceano que não é o fundo do mar), conforme mostra a figura 1. Geralmente carnívoros, sua alimentação e dentição eram muito variadas conforme a espécie, incluindo desde peixes até outros pequenos mosassauros. Possuíam exemplares que podiam variar de 1 a 17 metros de comprimento e chegavam a pesar até 20 toneladas. Foram identificados até a atualidade mais de 1.000 exemplares, classificados em até 10 gêneros, mostrando claramente sua expansão em termos de diversidade, quando foram extintos.

Figura 1. Representação de Mosassauros. Sgarbi G.N.C., Bittencourt J., Marinho T.S. 2016. Répteis que um dia dominaram os mares. Terræ Didática, 12(1):69-77.

Já no Brasil e na América do Sul, o primeiro registro ocorreu em 1953 por Llewellyn Ivor Price no estado de Pernambuco. No Brasil, foram encontrados registros de quatro gêneros de mosassauros: Mosasaurus, Globidens, Platecarpus e Prognathodon, encontrados na formação Calumbi na Bacia Sergipe-Alagoas e nas formações Itamaracá e Gramame na Bacia do Paraíba.

O final do Cretáceo foi marcado pelo desaparecimento de diversos grupos de plantas e animais, entre eles os mosassauros. Existiram diversas causas que resultaram nesta extinção, tais como intensas erupções vulcânicas, fragmentação de habitats e a queda de um grande asteroide. 
As relações filogenéticas dos mosassauros no reino animal são bem esclarecidas:grande parte dos pesquisadores consentem que os mosassauros surgiram da evolução de um grupo de répteis terrestres, os mesmos a que lagartos e cobras atuais pertencem.
Apesar dos mosassauros serem bem estudados, o conhecimento acerca desses animais fica restrito aos fósseis preservados que foram descobertos até hoje. Assim, quanto mais descobertas são feitas, um pouco mais podemos aprender sobre esses curiosos répteis marinhos que já habitaram a Terra!

4 de outubro de 2018

Mamutes e Mastodontes: Gigantes Peludos

Por Evelyn Oliveira, Giovanna Destri, Isabela Farias e Isis Shandra



Você, leitor, que tem simpatia por elefantes, por um momento pode ter achado que os mamutes e mastodontes são os “avós” desses grandes simpáticos mamíferos, certo?. Pois, pasme, eles não são! Além de incorretamente considerarmos a evolução como um processo linear, muitas vezes cometemos erros ao acharmos que o animal pré-histórico mais parecido com o atual é o ancestral direto desse bichinho. Mas, na maioria dos casos não é bem assim que acontece. Os mamutes e os mastodontes também não podem ser confundidos como sendo os mesmos animais, pois foram animais diferentes, com características distintas e ocorrências variadas. Ambos surgiram na Era Cenozóica, mamutes durante o Pleistoceno e mastodontes durante o Mioceno, e são relativamente recentes se pensarmos que o planeta tem cerca de 4 BI-LHÕ-ES de anos. Esses grandões habitaram a Terra até o final do Pleistoceno (+/- 11 mil anos atrás), quando foram extintos por causas ainda não conhecidas. Mamutes e mastodontes, apesar de serem muito parecidos, possuíam características físicas que nos permitem diferenciá-los tranquilamente. Na Figura 1, você pode ver uma ilustração dos dois animais e notar a grande diferença no formato das presas, por exemplo.


Figura 1: Mamute e Mastodonte, com destaque principal característica que os difere morfologicamente: suas presas. Autoria desconhecida.

Além de terem presas curvadas, os mamutes tinham ombros mais altos e eram animais maiores que os mastodontes, podendo atingir até 3,40 metros. O mais famoso de todos é o Mamute-lanoso. Se você já assistiu à franquia “Era do Gelo”, esse é o Manny! Porém, como toda regra tem sua exceção, uma espécie de mamute, conhecida como Mamute-pigmeu, chegava a pouco mais de 1,80 metros. Já os mastodontes eram animais de presas mais retilíneas em relação aos mamutes, porém com ombros mais baixos e caracterizados por serem animais menores, com cerca de 2,80 metros. Além das diferenças externas, esses dois possuíam hábitos alimentares distintos de acordo com seus dentes. Mamutes possuíam dentes especializados em triturar folhas, enquanto mastodontes apresentavam presas pontiagudas usadas para triturar lascas e galhos de árvores. Algo que chama muita atenção sobre a história desses gigantes é a interação entre eles e os hominídeos primitivos. Esse contato foi perpetuado nas paredes de cavernas, sendo possível encontrar registros de animais grandes, peludos e de presas longas em belas pinturas rupestres, simbolizando momentos de caça e dia-a-dia dos povos que ali viveram.

Figura 2: Comparação do mamute pigmeu com um ser humano de aproximadamente 1,80 metros.

Figura 3: Pinturas rupestres da atual França.